sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Chove 3 vezes mais em agosto

A Empresa de Pesquisas Agropecuárias do Rio Grande do Norte (Emparn) registrou 378,1 milímetros (mm) de chuva em agosto, um índice pluviométrico atípico para o mês que tem média anual de 111,3 mm. De acordo com o meteorologista Ueliton Pinheiro, esse é o maior volume registrado no mês desde 1911, quando a Emparn iniciou o trabalho de acompanhamento das chuvas caídas no estado. Mas os números não param por aí. Durante o período de janeiro a agosto deste ano, foram verificados vários índices acima de seus valores históricos.
Na Microrregião de Natal, que inclui as cidades de Natal e Parnamirim, a média passou de 1.408 mm para 1.532 mm, um desvio positivo de 9%. Porém outras regiões superaram esse volume, como a Microrregião Litoral Sul, que engloba oito municípios e passou de 1.007,3 mm para 1.284,5 mm, aumentando 34% do índice normal. O município de Baía Formosa merece destaque, já que o volume de chuva foi 144,6% maior que nos anos anteriores. O índice normal passou de 687,3 mm para 1.681,3 mm, aumentando 994 mm.
A tendência é que essas chuvas permaneçam pelo menos durante a noite e ao amanhecer. A previsão para os próximos dias é de céu parcialmente nublado com pancadas de chuva na região leste, ou seja, a faixa litorânea. Em Natal, a temperatura para hoje e amanhã varia da mínima de 22 graus Celsius (C) à máxima de 27,5C. A umidade do ar chega a 86%. Já no interior do estado, a previsão é de céu nublado. Em Mossoró, a temperatura varia de 24,5C a 33C; em Caicó a mínima é de 24C e a máxima de 32,7C; no município de Santa Cruz, de 23,5C a 31,7C; apenas Martins registra o frio característico da serra, com mínima de 18,8C e máxima de 29,4C.
O motivo para esse período de chuva e temperatura baixa à noite é a aproximação e aumento na intensidade do Sistema de Alta Pressão do Atlântico Sul, que chegou à costa potiguar. O fenômeno provoca o aumento dos ventos de Sudeste, nebulosidade, chuvas e uma sensação térmica diferente, que está fazendo o natalense sentir frio durante a madrugada.


Fonte: Diário de Natal, 29/08/2008

sábado, 23 de agosto de 2008

Semurb discute Plano Diretor de drenagem para Natal

Técnico da Semurb, Gustavo Szilagyi, diz que criação do Plano Diretor de drenagem é fundamental

Membros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) participaram hoje de audiência pública, na Assembléia Legislativa, que discutiu a "Drenagem Urbana de Natal". Devido às fortes chuvas que afetaram a cidades nos últimos meses, onde vários bairros considerados como pontos críticos de alagamentos passaram por verdadeiros transtornos, os deputados, representantes do CREA, ambientalistas participaram da audiência que pretende assim discutir soluções para a infra-estrutura de Natal.
Segundo o representante da Semurb, Gustavo Szilagyi, a capital potiguar não está adaptada ao atual sistema de drenagem. Uma vez que o número de pessoas que habitam a cidade cresceu. Ele fala também que Natal se tornou um verdadeiro ponto turístico. "A rede hoteleira cresceu, o número de turistas também. Esses fatores, associado as mudanças climáticas estão fazendo com que a infra-estrutura não agüente, já que a mesma não é adequada para o ritmo acelerado do crescimento", declara.
Ele fala que atualmente o sistema de captação de água da capital suporta 120 milímetros em 24h. Porém na última chuva uma média de 200mm afetaram a cidade em um período de 36h. "A criação de um plano diretor para a cidade é fundamental, isso é claro. Com ele será possível ordenar um modelo de planejamento equilibrado e dará também atenção à urbanização da cidade", admite.
Para que o problema não se repita. após uma possível solução, Gustavo fala que é preciso a criação estratégica do plano. "Como a tendência da cidade é crescer mais ainda, para que a criação de um plano não seja falho daqui há cinco ou mais anos, é necessário um sistema que possa sofrer mudanças junto às mudanças da capital", complementa.
As constantes chuvas causaram verdadeiras desordens na cidade. Bairro como Capim Macio e o Loteamento José Sarney foram os mais prejudicados. No segundo, mais de 100 famílias ficaram desabrigadas e perderam todos os móveis de suas residências. Já no primeiro a falta de manutenção nas lagoas de captação fez com que o nível da água subisse mais de um metro. A população foi obrigada a se retirar das casas. Segundo dados da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Semov), o prejuízo pela falta de drenagem da cidade pode custar à prefeitura mais de R$ 2 milhões.
Moradores dos dois bairros deverão entrar com uma ação contra o município pedindo ressarcimento pelos estragos. Na audiência estavam presentes algumas famílias das duas localidades.


Fonte: Correio da Tarde - 21/08/2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Governo vai revisar decreto que tornou mais rígida a Lei de Crimes Ambientais

A mudança atenderá a reivindicações de representantes do agronegócio.

O governo decidiu revisar o Decreto 6.514/2008, que tornou mais rígida a Lei de Crimes Ambientais. A mudança atenderá a reivindicações de representantes do agronegócio.
“Tudo que eventualmente extrapolou a lei será liminarmente retirado do decreto", afirmou hoje (20) o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em audiência pública na Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara.
“Vários pontos devem ser aperfeiçoados, mas a filosofia do decreto não está errada”, acrescentou. Segundo Minc, com as mudanças, a recuperação da reserva legal poderá ser feita fora da área desmatada originalmente, desde que dentro do mesmo bioma. De acordo com ele, a recomposição também poderá ser feita em áreas de florestas públicas, com o financiamento de unidades de conservação.
O ministro disse que meio ambiente e agricultura não são inimigos e que, de uma pauta de 15 pontos analisada por ele e pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, seis já foram acertados.O Decreto 6.514/2008 foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 22 de julho. Entre outros pontos, o texto prevê multa para quem deixar de registrar reserva legal. As propriedades na Amazônia Legal têm que preservar 80% da área com cobertura florestal original. No Cerrado, esse percentual é de 35% e nos outros biomas, 20%.
Pelo decreto, o proprietário que já desmatou percentual maior que o permitido terá que assinar termo de ajustamento de conduta para recuperação da área. A bancada ruralista argumenta, no entanto, que não será possível recuperar áreas degradadas que foram ocupadas para a produção.
Os detalhes sobre as mudanças no texto serão definidos hoje às 17h, em reunião entre Carlos Minc, secretários estaduais de Agricultura e parlamentares da bancada ruralista.
"Precisamos da ampliação de prazos para construirmos o entendimento entre crescimento e preservação. Queremos o amadurecimento da relação entre meio ambiente e agricultura", disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara.

Fonte: Agencia Brasil: 20/08/2008

domingo, 17 de agosto de 2008

AUDIÊNCIA PUBLICA SOBRE DRENAGEM URBANA

Prezados amigos;

Gostaria de convida-los a assistir comigo, na próxima quinta-feira (21/08/2008), uma importante Audiência Pública sobre os problemas da Drenagem Urbana em nossa Cidade do Natal.
Em debate estará o futuro da drenagem urbana de nosso município, sob os olhos do novo Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas de Natal (PDDMA), que está sendo elaborado pela prefeitura do Natal e discutida em fóruns participativos em cada Zona Administrativa da cidade.

Os debatedores convidados serão:
  • Ex-Prefeito e Engenheiro Sanitarista Aldo Tinôco Filho, que falará sobre Gestão Pública e drenagem Urbana;
  • Prof. da UFRN e coordenador do PDDMA, Dr. João Abner Guimarães, que falará sobre o Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas e os Mega-Projetos de Drenagem urbana;
  • Prof. da UFRN e Diretor do Centro de Tecnologia da UFRN, Dr. Manuel Lucas, que discutirá sobre Saneamento Ambiental;
  • Eng. Civil e Chefe do Setor de Patrimônio da SEMOV, Sr.Vitál Nobrega, que discorrerá sobre o Diagnóstico do Sistema de Drenagem Urbana de Natal; e
  • Eng. Civil, superintendente do CREA/RN e presidente do Movimento Pró-Pitimbu, Kalazans Lousá Bezerra.
O local desta importante Audiência Pública será na Assembleia Legislativa do RN (Plenarinho), as 09h da manhã.Não deixe de comparecer. Este é um debate de grande importância para o futuro de nossa cidade.

Atenciosamente;


Gustavo Szilagyi

Chuvas podem ser mais intensas a cada ano

Temporais em Natal serão ainda maiores nos próximos anos, segundo cientistas Natal deve sofrer cada vez mais com temporais e enchentes ao longo dos próximos anos. A junção entre os efeitos do aquecimento global e a urbanização desordenada pinta um cenário sombrio para a questão do clima na cidade. Em agosto, a capital potiguar sofreu as chuvas mais intensas dos últimos 38 anos. Foram 315,1 milímetros até a última quarta-feira, um verdadeiro ‘‘massacre’’ pluviométrico para um centro urbano que, de acordo com especialistas da área, só tem capacidade de suportar até 120 milímetros por dia. O excesso de precipitações provoca caos na infra-estrutura urbana, com ruas alagadas, famílias desabrigadas e um agravamento na contaminação da água, em função da falta de tratamento adequado.
O geógrafo Gustavo Szilagyi culpa a emissão de calor da região pela quantidade de chuvas. ‘‘O aquecimento global é um ciclo natural da Terra, que está sendo agravado pelo comportamento humano, sobretudo o aumento da emissão de poluentes e de calor na atmosfera, e a redução das áreas verdes. Esse conceito também se aplica localmente. Numa cidade com cada vez mais fumaça e asfalto, e menos verde, a tendência é que se aumente o calor emitido, e isso volta para nós em forma de chuva’’, decreta.
Szilagyi teme que temporais como a da semana passada (que foi o mais intenso na cidade desde 1970) tornem-se mais rotineiros, num futuro próximo. ‘‘Nesse caso, precisaremos discutir como é que a cidade vai suportar isso. Todos os projetos de drenagem de Natal são feitos para que se suportem 120 milímetros em 24 horas. Na semana passada, houve um período em que choveram mais de 230 milímetros em menos de 36 horas’’, expõe.
O metereologista Gilmar Bistrot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), acha que a população natalense pode ficar mais tranqüila com relação aos próximos dias. ‘‘Ao longo de toda a segunda quinzena de agosto, teremos menos dias de chuva e menor volume de chuva em cada um desses dias’’, explica.
Na opinião dele, o fenômeno climático pode ser creditado a uma coincidência de fatores, que inclui o comportamento dos oceanos e os ciclos de atividade do Sol. Segundo o especialista, a quantidade de manchas negras na superfície do astro reduz e aumenta ciclicamente, e essa oscilação se reflete em mudanças no nosso clima. ‘‘No momento, o Sol vive uma fase de poucas manchas. Por isso, o astro emite mais calor para a Terra. A água dos oceanos acumula esse calor, mas só até certo ponto. Quando os oceanos liberam o calor em forma de vapor d’água, as chuvas fortes acontecem’’, descreve. Na visão de Bistrot, os efeitos diretos do aquecimento global especificamente sobre a quantidade de chuvas ainda não estão completamente esclarecidos. Ele concorda, porém, que a emissão cada vez mais intensa de calor, em função de fatores naturais ou gerados pelo homem, poderá se refletir em mais chuvas intensas - como a que ocorreu em agosto -, ao longo dos próximos anos.
Bistrot pondera, entretanto, que um novo aumento na quantidade de manchas solares, mudança prevista para começar por volta de 2012, pode ajudar a reverter a deixar o clima menos chuvoso. ‘‘Com menos vapor sendo emitido pelo mar, essa quantidade de chuvas pode dimunuir, mas isso também vai depender de um número grande de fatores climatológicos’’, diz.




Fonte: O POTI, 17/08/2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Capim Macio suporta até 120mm

Por Joana Lima/DN

O sistema de lagoas de captação que está em construção no bairro de Capim Macio, Zona Sul de Natal, suporta até 120 milímetros de chuva. A informação partiu do secretário municipal de Obras e Viação, Damião Pita. Segundo ele, a capacidade de 120 milímetros do sistema foi planejada de acordo com a média das chuvas ocorridas na capital nos últimos anos. Caso chova mais que isso, o sistema não aguenta. Só nas obras do bairro, foram gastos R$ 43 milhões.
‘‘Esse sistema suporta 120 milímetros. Era o que sempre tinha acontecido em Natal. O problema é que, da madrugada do dia 8 para o dia 9 de junho, tivemos 242 milímetros de chuvas. Na semana passada, tivemos 233 milímetros em 24 horas. Já vimos que teremos que mudar a regra, já que tivemos essa chuva diferente. Não tinha como esse sistema suportar’’, afirmou Pita.
Segundo o secretário da Semov, não há garantias de que o sistema suportará as chuvas futuramente. ‘‘As condições climáticas estão mudando, não só em natal como no mundo todo. Vemos inundações na Rússia, por exemplo. Então, não há como se dizer que teremos um sistema de drenagem que vá suportar as chuvas para sempre’’, disse.




DRENAGEM




No projeto de drenagem da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Semov) para Capim Macio, está prevista a construção de cinco lagoas de captação. Até o momento, duas foram concluídas e outras duas obras encontram-se em andamento. Uma quinta lagoa ainda está em fase de negociação do terreno, no local onde era o Motel Tahiti, próximo da Av. Engenheiro Roberto Freire.
Além disso, 57 ruas do bairro foram saneadas e pavimentadas, num trabalho conjunto entre Semov e Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), a primeira responsável pela parte de drenagem e pavimentação e a segunda com o esgotamento sanitário. Faltam 21 ruas serem concluídas.
Na Rua João Florêncio de Queiroz, onde residiam os moradores que prometem entrar com a ação contra o Município, há uma lagoa de captação pronta e outra em fase de conclusão da obra. Segundo Pita, o fato de uma das lagoas não estar concluída é o que ocasionou as inundações.
‘‘Até dezembro, o sistema deve fica pronto. Isso se não continuar chovendo da forma como está. Não estava nos nossos planos as chuvas de agosto. Já perdemos 13 dias desse mês. As obras foram retomadas num ritmo lento, porque não dá para trabalhar a parte do asfaltamento com chuva’’, explicou Pita.




Laudos vão embasar ação judicial




Segundo o advogado dos moradores que pretendem entrar com a ação contra o Município, Diogo Pignataro, a ação só poderá ser ajuizada após os laudos técnicos relativos aos estragos causados pelas inundações serem concluídos. ‘‘Não posso dar entrada numa ação sem ter uma documentação correta’’, afirmou. Além disso, ele explica que só terá a estimativa de quanto será pedido como indenização após os laudos serem concluídos.
Pignataro comenta ainda que a Prefeitura Municipal do Natal não entrou em contato com os moradores ou com ele buscando acordo, mas que pretende procurá-la administrativamente. ‘‘Se for possível entrar em um acordo, é melhor para todo mundo’’, disse.

Fonte: Diário de Natal, 14/08/2008.

Produção de biodiesel já é a terceira maior do mundo

A cadeia produtiva do biodiesel no Brasil se estruturou rapidamente e, apenas sete meses após a entrada em vigor da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, o País se destaca como terceiro maior produtor e consumidor desse combustível alternativo no mundo, atrás da Alemanha e dos Estados Unidos. A série “Brasil de Todas as Fontes” do Em Questão apresenta nesta edição os avanços obtidos com o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), lançado em 2004 pelo governo federal. O programa se baseia em três pilares: econômico (criação de uma nova indústria), social (inserção da agricultura familiar) e ambiental (captura de gases de efeito estufa).
Por meio de um marco regulatório estável e uma série de leilões de compra, a cadeia produtiva foi estruturada e o abastecimento do mercado, garantido. O Brasil conta hoje com 41 usinas em operação comercial e outras 52 unidades estão em processo de regularização na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A capacidade instalada da indústria é de 2,8 bilhões de litros — volume bem superior aos 1,3 bilhão de litros exigidos pela mistura de 3% de biodiesel ao diesel comercializado em todo o País. Mais de 65% das usinas detêm o Selo Combustível Social, as quais representam 95% da capacidade instalada. Concedido pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), o selo assegura benefícios fiscais para as unidades produtoras que compram matéria-prima da agricultura familiar.
Combinada com a agricultura empresarial (agronegócio), a participação da agricultura familiar é cada vez mais organizada e aproximadamente 100 mil famílias já produzem cerca de 20% de toda a matéria-prima entregue às usinas. Hoje, a cultura mais utilizada na produção de biodiesel no Brasil é a soja e a agricultura familiar responde por 25% da produção total dessa oleaginosa.
No aspecto ambiental, a mistura de 2%, ampliada para 3% em julho, garante um balanço muito mais sustentável na produção de combustíveis veiculares por conta da absorção de gases de efeito estufa na etapa agrícola, o que não ocorre com derivados de petróleo. Ou seja: o que o veículo emite na queima do combustível é anulado na fase do crescimento da planta quando ocorre a captura de gases de efeito estufa como o dióxido de carbono.

Histórico – O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis e que pode ser obtido por diferentes processos industriais. No Brasil, as pesquisas sobre biodiesel tiveram início há quase meio século e, em 1980, o pesquisador da Universidade Federal do Ceará, Expedito Parente, registrou a primeira patente do processo industrial da transesterificação — transformação de óleo vegetal em biodiesel.
Em 2003, o biodiesel foi inserido na agenda de políticas públicas prioritárias do governo com a criação de um grupo de trabalho encarregado de apresentar estudos sobre a viabilidade do novo combustível. Em dezembro de 2004, o governo aprovou o plano de trabalho para implementação do programa, que estabeleceu as diretrizes para a organização da cadeia produtiva, definição das linhas de financiamento, estruturação da base tecnológica e edição do marco regulatório do novo combustível, lançado em janeiro de 2005. Como forma de organizar a produção e garantir o abastecimento gradativo do mercado, o governo promoveu nove leilões nos últimos dois anos e meio.
A partir de janeiro de 2008, todo o diesel comercializado no Brasil passou a ter, obrigatoriamente, 2% de biodiesel. Esse percentual foi ampliado para 3% em julho, o que reforçou ainda mais a participação de fontes limpas e renováveis na matriz brasileira de combustíveis. O programa prevê a ampliação da mistura para 5%, em 2013.



Mamona gera emprego e renda na região do semi-árido




O Brasil dispõe de diversas oleaginosas para a produção de biodiesel. Além de ser extraído de gordura animal, o combustível é derivado de óleos vegetais como os de soja, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, mamona e pinhão manso. No semi-árido, a mamona representa uma oportunidade de geração de emprego e renda porque a planta é resistente ao clima seco e tem mercado diversificado e crescente.
O Nordeste concentra 93% da produção de mamona que é direcionada a diferentes segmentos como a indústria de cosméticos e lubrificantes, além de usinas de biodiesel. Cerca de 29 mil agricultores familiares da Bahia e Sergipe vão produzir, até dezembro, 48,8 mil toneladas de grãos para a primeira usina de biodiesel da Petrobras, inaugurada em julho, em Candeias (BA). Deste total, 30,6 mil toneladas são de mamona e 18,2 de girassol.
Para o funcionamento da unidade, 58% do total de compra da matéria-prima foi adquirido da agricultura familiar, o suficiente para obtenção do Selo Combustível Social.

Safra - De acordo com a Conab, a produção de mamona no Brasil nesta safra será de 146 mil toneladas, 55,8% a mais que no ciclo passado. O aumento é resultado de um crescimento de área de 7,3% e melhora de 45,3% na produtividade, comparada ao período anterior. Os agricultores estão colhendo em média 875 quilos por hectare. Durante a safra 1997/98, por exemplo, a colheita rendia apenas 142 quilos por hectare.